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Tuesday, April 22, 2008

FREECONOMICS





Um artigo publicado recentemente, na revista WIRED ( março de 2008), alcançou quase imediata repercussão em alguns veículos da imprensa especializada. Seu autor já se notabilizara pela publicação de livro que mereceu a tradução de "A Cauda Longa" na Editora Campos. Ainda ao final de 2007, a circunspecta The Economist, na sua publicação From The World in 2008, adiantava algumas previsões para o mundo dos negócios e dava curso à expressão Freeconomics do mesmo Chris Anderson.


Tudo isso porque um novo modelo de "free" estaria em ascensão. Já não mais baseado nos artifícios tradicionais de promoção de um produto mediante o subsídio cruzado (ou seja no deslocamento dos custos de um produto para outro, de modo a vender mais agressivamente o primeiro , imputando-lhe um custo e um preço mais atraente visto que o custo estaria coberto parcialmente pelo segundo.
Agora, a nova realidade do mundo dos negócios estaria decisivamente influenciada pela efetiva e avassaladora queda dos custos intrínsecos ao próprio produto. Nesse terreno passaria a ser jogada a concorrência entre uma crescente variedade de itens de consumo. Estes apresentando como elemento comum suas respectivas comercializações, via Internet, e a redução dos custos. A China, no papel de virtual fábrica do mundo, despontaria como viabilizadora da estratégia de redução dos custos de produção de grande número desses produtos.

Esse fenômeno explicaria a rapidez e facilidade com que determinadas modalidades de comercialização se impuseram, conquistando bom número de consumidores. Hoje se recebe como natural a oferta de um celular como meio de conquistar cliente para plano mensal de assinatura de uma companhia telefônica. A lembrança de que, no Brasil de bem poucos anos atrás, a discriminação da propriedade de uma linha telefônica era exigida até nas declarações de bens do imposto de renda, indica, emblemáticamente, a extensão dessa mudança e seu alcance. Aí incluída, até mesmo, a percepção do cidadão comum.

A constatação mais chocante é que as tecnologias constituidoras da base técnica da INTERNT estão em franca queda de preços . Mais: se tomadas ao pé da letra, as afirmativas de Cris Anderson conduzem a uma conclusão surpreendentemente radical. Já que, no seu entendimento, as tendências apontam para um custo zero! Para a economia do free, no sentido de grátis mesmo. Seria o neoliberalismo na sua etapa superior? Tão liberal e livre que se tornou gratuito?

Um delírio? E como ficaria a estória do não há almoço grátis, citado em toda conversa supostamente responsável, apoiada nos conceitos do guru da Escola de Chicago Milton Friedman, ( 'There's No Such Thing As a Free Lunch"- 1975)?

Seria cômico, se não fosse trágico?

Ao mesmo tempo, do outro lado do Canal Mancha, ali na midiática França do Le Monde, se anuncia o crescimento de um novo modismo que já desfrutava de numerosos adeptos na terra da Rainha. A versão pós- moderna dos medievais “glaneurs” : o movimento freegan. Aqui representando a contração de free ( gratuito) com vegan ( uma variante dos vegetarianos). Originado nos Estados Unidos, esse movimento se propõe a denunciar o desperdício e combater o hiper-higienismo. As abordagens às latas de lixo tornaram-no conhecido para espanto de muitos.
Aqui no Brasil, a tradução mais adequada de glaneurs talvez fosse catadores ou turma da xêpa( sobras, restos, refugo, migalhas) modalidade popularizada nas nossas feiras - livres e mais antiga que o bonde Taioba dos nossos supresos avós.



Pois bem, esses medievais hábitos, também eles, se sustentam na pós- modernidade da atividade free através da Internet. Mediante intercâmbio de informações sobre horários de saída dos carregamentos de lixo ou divulgação de um novo distribuidor importante, além de precauções e conselhos para evitar intoxicações alimentares. É também o veículo privilegiado para difundir recomendações tais como privilegiar frutas e legumes bem lavados antes do consumo. Nem mesmo falta aconselhamento jurídico, visto que já houve casos de prisão de pessoas que retiraram frutas e legumes do lixo de empresas e foram acusadas de violação de propriedade privada! Corriam o risco de 6 meses de cadeia.Fato noticiadao pelo americano jornal Steamboat Pilot & Today !Merece transcrição. Ai vai:
6 Months in Jail for Dumpster Dive
Men Who Took Food in Trash Get 6 MonthsBy Associated PressSeptember 1, 2006, 10:59 PM EDTSTEAMBOAT SPRINGS, Colo. -- Two men who took fruit and vegetables out of a garbage can have been sentenced to six months in jail.Giles Charle, 24, of Sumersworth, N.H., and David Siller, 27, of Wayne, Pa., said the punishment was harsh and the only choice they had to avoid a felony on their records.They were on their way to the Rainbow Family's annual gathering when they were arrested in June and charged with felony burglary and misdemeanor theft. Authorities said they took five cucumbers, four or five apricots, two bundles of asparagus spears and a handful of cherries from a garbage can at Sweet Pea Produce.The two pleaded guilty to misdemeanor trespassing Wednesday and the felony charge was dropped."We didn't have any intention of committing a crime or doing anything wrong," Charle told the Steamboat Pilot & Today newspaper. "We had just come in town and we were prepared to buy groceries from a store but everything was closed."Charle's mother, Shaune McCarthy Charle, called the jail sentence a joke. She said, "It's really amazing and unbelievable how taking garbage out of a Dumpster became a felony."Thousands of people were in the Steamboat Springs area at the end of June and early July for the Rainbow Family gathering north of town. At times, the relationship between members of the nomadic group and authorities was tense and a number of citations were issued.
http://www.newsday.com/news/nationw...0,7627977.story


Mas, até o lixo? (Freelixo?)

3 Comments:

Anonymous Newton Fleury said...

Mas aqui no Brasil não temos mais estes problemas, pois a partir de agora nós somos "investment grade"!!!!

02 May, 2008  
Anonymous Anonymous said...

Salve, salve seu Niltinho.
Bem -vindo e volte sempre.

21 May, 2008  
Anonymous Danilo Bezerra said...

No Brasil ninguém desperdiça. São Paulo, por exemplo, quase não produz lixo! Nunca vemos caçambas, nem desperdício de comida, moveis, utensilhos, etc.

AHAHAHAHAHAH

03 December, 2008  

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